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Morangos geram renda e ajudam na recuperação de presos em Charqueadas

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O governador conheceu o trabalho de perto, conversou com os presos e escolheu um morango que provou e aprovou - Foto: Luiz Chaves
Por Vanessa Felippe

Uma frutinha está dando enormes resultados. Das duas estufas da Colônia Penal Agrícola de Charqueadas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, devem sair até quatro toneladas de morangos bonitos, sem conservantes e saborosos. Mas o lado mais positivo dessa história não é esse.

Quem cuida dos morangos são os presos. Cerca de trinta detentos recebem ajuda e orientação de agentes penitenciários e técnicos da Emater. A plantação está mudando a vida deles. E não é força de expressão.

"A gente sabe que as pessoas nos veem com maus olhos e a gente não tira a razão delas. A gente fez coisa errada, sim. Mas agora tem uma oportunidade real pra mudar de rumo. Esses morangos fazem eu me sentir útil e ajudar minha família lá fora", contou um dos presos. Casado e com uma filha de onze anos, o detento ganha um salário mensal, assim como todos que participam do projeto. Outro benefício é a redução da pena, prevista em lei. Três dias trabalhados são um dia a menos na prisão.

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O projeto Estufa I foi criado pela ouvidora da SDSTJDH, Silvana Oliveira. Graças a parcerias,o governo não custos - Foto: Luiz Chaves

O projeto, chamado de Estufa I, foi criado no ano passado, pela ouvidora da Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e Direitos Humanos (SDSTJDH), Silvana Oliveira. Graças a várias parcerias, o governo do Estado não gasta um real com a iniciativa.

Nesta sexta-feira (14), o governador José Ivo Sartori foi conhecer o trabalho de perto. Conversou com os presos e escolheu o maior morango que viu. Provou e aprovou. "Isso que a gente está vendo aqui é muito importante. São hábitos que eles estão mudando porque estão tendo oportunidade. Ouvir a juíza dizer que as fugas e a reincidência já diminuíram me deixa, de verdade, muito feliz", disse o governador.

Sartori se referia à juíza Valéria Wilhelm, da Vara de Execuções Criminais de Novo Hamburgo e responsável pela fiscalização do presídio. "Desde que o trabalho começou, as tentativas de fuga caíram pela metade. E, entre os presos que passaram pelo projeto e já ganharam liberdade, nenhum voltou a cometer crimes", contou.

Também participaram da visita a secretária da SDSTJDH, Maria Helena Sartori, e o secretário da Segurança Pública, Cezar Schirmer. Maria Helena reforçou o objetivo de ressocialização. "Nossa preocupação é com o retorno deles à sociedade. Eles só vão conseguir mudar se ganharem chances como essa", ressaltou.

Schirmer informou que o governo gaúcho está buscando apoio financeiro junto aos ministérios da Justiça e do Desenvolvimento Social para ampliar projetos como o de Charqueadas. "Entregamos uma lista dos 145 presídios gaúchos para a Emater para ver a possibilidade de fazer trabalhos assim em mais unidades. E também estamos vendo parcerias com empresas privadas, porque os produtos precisam ser comercializados para gerar renda aos detentos”, disse Schirmer.

SDSTJDH - Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e Direitos Humanos